<$BlogRSDURL$>

Tuesday, June 29, 2004



|

Thursday, May 20, 2004


|

Tuesday, May 18, 2004


instantes Posted by Hello
|

Saturday, May 15, 2004

CANTO

Enquanto houver um rio, hei-de cantar
Lonjuras de outros tempos, esquecidas.
Enquanto houver gaivotas rumo ao mar,
Cantarei lembranças de outras vidas.

Enquanto houver um rio, hei-de sonhar
Venturas de outros tempos, proibidas.
Enquanto houver mordaças de matar,
Cantarei esperanças coloridas.

E enquanto o rio correr e eu cantar
Vontades, ilusões, destinos, fados,
Talvez um dia, o meu canto chegue ao mar

Se não, que espalhem as gaivotas pelo ar
Em pios, em voos, em desenhos ousados
Tudo quanto meu canto nunca ousou cantar.

Sempre encarei os meus escritos como momentos, instantes, fotografias feitas de palavras.
No rolo, restam apenas duas fotos que reservo para dois tributos, um a António Ramos Rosa, outro a Paul Éluard.
Depois, talvez não utilize mais a câmara fotográfica; e o canto que hoje escrevi constitua o "canto do cisne" deste blog.
|

Monday, May 10, 2004

AINDA AS MÃES, AS MÃOS, OS TEXTOS, A VIDA...

"No tear se tecem os fios", fontes do tecido de que são feitos os textos. Em tons de azul , de negro, amarelo ou vermelho.
Nunca brancos, sem vida nem voz.
"No tear" as mãos das mães "tecem os fios", fontes de vida.
"No tear " da vida as mães sabem que o seu bordado nunca terá um fim.
Não há "Dia da Mãe"... há toda uma vida.

Tão pouca é a vida,
o deslumbrado delírio da vida.

No tear se tecem os fios, o desenho das rendas,a
renda dos dias.
Ignoro quantos,
quantas tardes no fluir da paixão, quanto ouro e
azul na idade das mãos,
que idade no tear das mães.

Foram belas também no sonho antigo,
passearam entre os lírios,
desatavam a cabeleira e os vestidos,
iam à beira mar.

in., MORRER NO SUL de José Agostinho Baptista

|

Sunday, May 09, 2004

Rumos...

O dia está cinzento. Cai uma chuva miudinha. Os trigais estão espigados. Os verdes estão matizados de amarelos. As espigas ondulam ao sabor da aragem. Estas gotas de água são absorvidas avidamente para que os bagos de trigo vinguem.
Há dias fui com os meus alunos ao campo. Descobri mais um motivo porque o rubro das minhas flores já não alegram tanto os campos. Antes das papoilas desabrocharem as crianças entretêm-se a brincar ao galo, galinha, pinto!!!!
Á beira das estradas, as marcelas salpicam e dão colorido à paisagem. Lembrei-me do tempo em que colhia um malmequer e pétala a pétala, tentava descobrir se me queriam bem ou não.
Porque é que de repente, algumas das nossas recordações nos vêm à memória com tanta afluência?
Não sei se é do cinzento do dia, hoje sinto-me nostálgica e recordo o tempo em que criança/menina, despreocupadamente, entre brincadeiras e traquinices ouvia o meu riso cristalino ecoar.
A chuva continua a cair. O ping ping cai das goteiras e essa cadência de sons leva-me dos trigais ao mar.
Na imensidade do horizonte, fecho os olhos.
Para onde caminho?

|
AS MÃOS


“Não há que escolher entre as duas fórmulas, perante as quais Fausto hesita: ao começo era o Verbo, mas também era o Gesto, pois que Verbo e Gesto, mãos e voz estiveram unidas no mesmo começo”. (1)

Foi por meio da acção das mãos que o homem primitivo sobreviveu; elas recolhiam os alimentos, construíam as ferramentas, trabalhavam a terra, e defendiam-no dos animais selvagens. Foram elas também, o instrumento básico da sua linguagem.

O gesto é, pois, uma das componentes do triângulo mágico da comunicação entre os humanos. Aliando a expressão do olhar ao movimento das mãos ilustra-se o discurso emprestando-lhe a vida e a força que, a palavra por si só, nunca lhe chegaria a dar, apesar do seu ritmo, da sua entoação, da sua polissemia.

Do ponto de vista simbólico, as mãos estão associadas à Águia – guardiã da “Porta dos Deuses” -, último animal a ser nomeado pelo Criador, considerado entre os dez primeiros senhores da Terra e do Ar. Em hebraico o seu nome, Nesher, (50+300+200), é construído de tal forma que as duas mãos, os dois 5 são a tradução aritmológica das duas asas da Águia e, pela sua complementaridade, indicam já a unidade reconquistada (5+5) = 1o (2).

A mão (em hebraico) Yad,, está associada ao conhecimento: Yada – “conheço” mas igualmente, “amo”. Este conhecimento, essencialmente experimental, é aquele que o homem possui da mulher, de qualquer elemento da criação, da própria realidade, conhecimento esse, que ele só pode adquirir através do corpo, ou seja, dos sentidos. Conhecer é tocar; conhecer é amor
Não podemos pois, esquecer que, acrescentando a Yad a letra Ayin, a qual significa “olho”, não nos encontramos perante um qualquer conhecimento. Podemos, sim, inferir que a mão é dotada de visão, e o olhar de uma qualidade de tacto.
Tacto e visão conduzem-nos ao Conhecimento Libertador.



|

Sunday, May 02, 2004

Dia da Mãe

Fui abençoada com dois filhos que são a razão do meu viver e a motivação maior da minha vida.

Com eles aprendi que as palavras podem ter um sentido mais profundo e autêntico, que os sons têm mais musicalidade, que os sentimentos são mais harmoniosos.

Com eles aprendi que o amor é incondicional, que a dádiva acontece naturalmente ( é o prazer de dar sem nada pedir), que a ternura torna-se mais doce, que os sorrisos tornam os dias mais coloridos, que os carinhos são momentos de festa mais divertida, que os sacrifícios fazem sentido, que a renúncia deixa de ser tão dolorosa...

Hoje, enquanto sentia os seus beijos e abraços, num aconchego partilhado, fechei os olhos, o pensamento dispersou-se e vi-me, para além do horizonte onde a erva é mais verde e as estrelas parecem mais brilhantes, a dançar ao som de Zucchero Fornaciari.

Fui ao quintal. Caía uma chuva miudinha. As flores exalavam perfumes e eu só me lembrei de papoilas!

Há mistérios que ultrapassam a nossa compreensão.

Olhei o céu. Será que a evolução do nosso destino está nos astros?

Que eu não sinta a terra desmoronar-se debaixo dos meus pés!

Se eu for barco, que as velas não se rasguem, que o leme não se quebre, que eu não navegue à deriva. Que, no cais da vida, eu veja a beleza das brumas da manhã e oiça os silêncios da noite.

Que eu seja sempre para os meus filhos a mãe que eles precisam em todas as situações. Às vezes de tanto lhes querer fico receosa.

A maior experiência da nossa vida é o amor. Que essa força motriz que nos torna frágeis, que nos torna fortes, que torna alegria e tristeza inseparáveis, nos torne também mais dignos, mais serenos e mais sábios.

|

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com